sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A nova psicologia

Cap. 4 -  Hermann Ebbinghaus – Georg Elias Müller – Franz Brentano  Carl Stumf – Oswald Kulpe                         
            Wundt iniciou a psicologia científica fundando o primeiro laboratório de psicologia. Com o nascimento desta nova vertente da psicologia surgiu investigadores de diferentes ciências, mas sobre tudo da filosofia. Wundt também defendeu o estudo da análise da consciência, pois toda a psicologia começa pela introspecção. Este investigador tentou também descrever estruturas mentais através de sensações, esta teoria, conhecida também por associacionismo, afirma que a consciência é como uma associação de elementos e sensações e afirmou ainda que não era possível fazer experimentos com os processos mentais superiores.
            Em 1885, um psicólogo chamado Hermann Ebbinghaus ( 1850-1909), nascido na Alemanha em 1850, graduou-se em  história, literatura, filosofia e foi para ciência. Influenciado pela  publicação  de Fecher, “Elementos da Psicofísica”  no qual é abordado o uso da matemática para os estudo dos fenômenos psicológicos, Ebbinghaus publica na Alemanha uma monografia que influenciou a história da psicologia, pois relatava investigações acerca de estudos da memória e do aprendizado usando medidas rígidas e sistemáticas. Em sua publicação “Sobre Memória”, Ebbinghaus descreve o resultado de uma longa experiência planejada e controlada, sendo ele mesmo o objeto de experimento. Pela primeira vez, a aprendizagem e a memória começaram a ser estudadas experimental e quantitativamente mostrando que processos mentais superiores podem ser estudados, contrariando a afirmação de Wundt.
Ebbinghaus decide então iniciar seus experimentos removendo o significado verbal e inventando as sílabas sem significado, construindo cerca de 2300 sílabas com o intuito de não fazer nenhum tipo de associação com algo conhecido. Repetia  todos os dias na mesma hora cerca de 13 sílabas e avaliava quantas repetições eram necessárias para a aprendizagem. Além disto comparou a velocidade me memorizar um texto conhecido de Don Juan de Byron tendo cada estrofe 80 sílabas e observou que eram necessárias cerca de nove leituras para memorização de cada estrofe. Em seguida memorizou 80 sílabas “sem sentido” e verificou que a tarefa exigia quase oitenta repetições. Concluiu então que o material sem sentido ou desprovido de associações apresenta uma dificuldade 9 vezes maior de aprendizagem do que o material significativo.
            Estudou ainda a curva do esquecimento, onde demonstra que o material é esquecido bem rapidamente nas primeiras horas depois da aprendizagem e com mais lentidão daí por diante.
Suas pesquisas conferiram objetividade, quantificação e experimentação ao estudo da aprendizagem. Contribuiu  também com que o conceito de associação abandonasse a especulação acerca de seus atributos e passado a investigação científica normal. Suas conclusões sobre natureza da aprendizagem e da memória permanecem válidas até hoje.
            O fisiologista e filósofo alemão Georg Elias Müller (1850-1934) foi um dos primeiros a trabalhar na área iniciada por Ebbinghaus, ampliando e verificando as primeiras pesquisas. Suspeitava que a mente participava mais ativamente no processo de aprendizagem e que esta não se produziria mecanicamente, vindo a sugerir a participação de um conjunto de fenômenos mentais na aprendizagem, as chamadas atitudes conscientes: prontidão, hesitação, dúvida, etc. Seu laboratório obteve grande êxito nos anos de 1881 a 1921, chegando a rivalizar com o de Wundt, em Leipzig. Deste laboratório, surgiu a teoria do esquecimento por interferência, segundo a qual o esquecimento não era apenas um declínio da memória ao longo do tempo, mas era explicado também pela interferência de novos dados sobre a memória.
Franz (Clemens) Brentano, (1838-1917), ex-sacerdote católico e filósofo alemão, geralmente considerado o fundador do intencionalismo, que se ocupa dos processos mentais mais que com o conteúdo da mente  e da psicologia que hoje é chamada psicologia existential, discordou de Wundt que estudava o conteúdo da experiência consciente, pois para ele o principal método era a observação e não a experimentação.  Deixou o sacerdócio em 1873. Seu livro mais famoso e influente foi Psychologie vom empirischen Standpunkte ("A Psicologia de um ponto de vista empírico"), de 1874, no qual tenta apresentar uma psicologia sistemática que seria a ciência da alma. Segundo ele, no fenômeno psíquico, já existe um "direção da mente para um objeto", a pessoa "vê alguma coisa". Ele sugeriu que, fundamentalmente, a mente pode referir-se aos objetos de três maneiras:
a) por percepção e idealização, incluindo sensação e imagem.
b) por julgamento, incluindo atos de reconhecimento, rejeição, e recordação; e
3) por amor ou ódio, o que leva em conta desejos, intenções, vontade e sentimentos.
A posição de Brentano teve seus adeptos, mas a psicologia wundtiana manteve sua proeminência na nova psicologia.

            Carl Stumpf, (1848-1936) filósofo, músico e psicólogo teórico alemão que foi discípulo, na Universidade de Würzburg, do psicólogo e filósofo Franz Brentano, o fundador do intencionalismo . Foi professor na Universidade de Göttingen em 1870, e sua primeira obra de importância foi Über den psychologischen Ursprung des Raumvorstellung ("Origem psicológica da percepção do espaço"). Lecionou depois na universidade de Würzburg. Lá, em 1875, ele começou suas experiências para o seu Tonpsychologie ("Psicologia dos tons"), 2 vol. (1883-90), uma obra dedicada à música. Completou o trabalho quando professor sucessivamente nas universidades de Praga (1879), Halle (1884), e Munique (1889). Esta obra foi importante não apenas por relatar os resultados de seus experimentos mas também por revisar conceitos da psicofísica, ciência voltada para a medição quantitativa tanto dos estímulos físicos como das sensações que eles produzem. Ele
            Em 1894 Stumpf atingiu a fase mais influente de sua carreira, como professor de filosofia e diretor do Instituto de Psicologia Experimental na Universidade Friedrich-Wilhelm, em Berlim. Continuando sua pesquisa sobre a psicologia dos tons musicais ele fundou um jornal, Beiträge zur Akustik und Musikwissenschaft ("Contribuições à Acústica e à Musicologia") em 1898 e em 1900 estabeleceu um arquivo de música primitiva. Ele foi também co-fundador da Sociedade de Psicologia Infantil de Berlim (1900). Em dois artigos importantes de 1907 ele enfatizou que o estudo experimental da experiência sensorial e imaginária (por exemplo, imagens, sons, cores) deve preceder ao estudo das funções mentais (percepção, vontade, desejo, etc.). Assim, ele trouxe para a psicologia sua própria versão da fenomenologia,  onde refere-se ao exame da experiência não distorcida, isto é, a experiência tal como ocorre. Não concordava com Wundt no tocante a decompor a experiência em elementos, pois acreditava que a experiência tornava-se artificial e abstrata e, portanto não mais natural.  Até a aposentadoria de Stumpf em 1921, seu instituto em Berlim teve inúmeros estudantes que depois desenvolveram uma fenomenologia experimental.

Oswald Külpe (1862-1915) e a Escola de Würzburg

Inicialmente aluno, discípulo e seguidor de Wundt, Oswald Külpe, no decorrer de sua carreira, liderou um grupo de alunos num movimento voltado para romper com o que considerava as limitações da obra do fundador. Escreveu um manual, Grundriss der Psychologie (Esboço de Psicologia), publicado em 1893 e dedicado a Wundt. Nele, Külpe definiu a psicologia como a ciência dos fatos da experiência, dependente do indivíduo que passa pela experiência. No Esboço de Psicologia, Külpe não discutiu o processo mental superior do pensamento. Na época, sua posição ainda era compatível com a de Wundt. Alguns anos mais tarde, contudo, ele se convenceu de que os processos de pensamento podiam ser estudados experimentalmente. A memória, outro processo mental superior, fora estudada assim por Ebbinghaus. Se a memória podia ser estudada no laboratório, por que não o pensamento? Um segundo ponto de divergência entre a escola de Würzburg, como ela veio a ser chamada, e o sistema wundtiano vincula-se com a introspecção. Külpe desenvolvera um método denominado introspecção experimental sistemática. Ele envolvia a realização de uma tarefa complexa (como o estabelecimento de ligações lógicas entre conceitos), depois da qual se pedia aos sujeitos que fizessem um relato retrospectivo dos seus processos cognitivos durante a realização da tarefa. Em outras palavras, pedia-se aos sujeitos que realizassem algum processo mental, tal como pensar ou julgar, e depois examinassem de que maneira tinham pensado ou julgado. Wundt tinha rejeitado o uso do relato retrospectivo em seu laboratório. Ele acreditava em estudar a experiência consciente tal como ocorria, e não a memória dela depois da ocorrência. Külpe não rejeitou o foco de Wundt sobre a experiência consciente, o instrumento de pesquisa que era a introspecção, nem a tarefa fundamental de analisar a consciência em seus elementos. O alvo do seu trabalho era expandir a concepção de objeto de estudo da psicologia de Wundt a fim de incluir os processos mentais superiores, bem como aprimorar o método da introspecção. O ponto de vista de Wundt acentuava que a experiência consciente podia ser reduzida aos seus elementos sensoriais ou imaginais componentes. Para ele, toda experiência se compõe de sensações ou imagens. A introspecção direta de processos de pensamento, empregada por Külpe, encontrara provas para sustentar a perspectiva oposta, a de que o pensamento pode ocorrer sem conteúdos sensoriais ou imaginais. Essa descoberta veio a ser identificada como pensamento sem una gens, expressão que representa a noção de sentidos no pensamento que não parecem envolver quaisquer imagens específicas. Desse modo, a pesquisa de Külpe identificou uma forma ou aspecto não sensorial da consciência. O grupo de Würzburg de Külpe também se ocupou da associação e da vontade. Um estudo realizado por Heniy Watt demonstrou que, numa tarefa de associação de palavras (em que se pedia ao sujeito que reagisse a uma palavra-estímulo), o sujeito tinha poucas informações relevantes para contar sobre seu processo consciente de julgamento. Essa descoberta forneceu uma demonstração adicional de experiência consciente que não pode ser reduzida a sensações e imagens. Ele concluiu que o trabalho consciente era feito antes de a tarefa ser realizada, no momento em que as instruções eram dadas e compreendidas. Em 1907, com o trabalho de Karl Bühler, iniciou-se um novo período na escola de Würzburg. Seu método de pesquisa envolvia a apresentação ao sujeito de uma questão que exigia certa reflexão antes de poder ser respondida. Pedia-se a sujeitos que fizessem o relato mais completo possível das etapas envolvidas na formulação da resposta, enquanto o experimentador intercalava perguntas sobre o processo. Os resultados obtidos por Bühler reforçaram a noção dos elementos não sensoriais da experiência. O conceito de conjunto ou tendência determinante certamente tem relação direta com os trabalhos atuais no campo. Do mesmo modo, a demonstração de que a experiência depende não apenas de elementos conscientes mas também de tendências determinantes inconscientes sugere o papel dos determinantes inconscientes do comportamento, idéia que constitui parte importante do sistema desenvolvido por Sigmund Freud.

Comentário

Todos estes estudiosos contribuíram para uma visão mais ampla da psicologia, porque todos estavam com o intuito de descobrir as possibilidades de estudo, sua quantificação e com isso, somaram informações e experimentos que são considerados até hoje.

2 comentários:

  1. Teoria do Esquecimento.. sempre imaginei que o esquecimento era tão importante quanto a lembrança... bacana tua compilação, principalmente por reunir rapidinho uns clássicos da "epistemologia da fenomenologia".

    ResponderExcluir
  2. Muito bacana seu trabalho, acabo de acessar para resolver uma questão da aula de História teorias e sistemas. Me foi útil. Sinceramente agradecido.

    ResponderExcluir